Cândido Portinari - TNT Arte
Brodowski, SP
29/12/1903
1962
(Cód.: 10792)
Índia de costas, 1936
Desenho a carvão sobre papel graft
151 x (L) cm
215 (A) x
Categoria(s): Desenho

Nascimento e Formação

Cândido Portinari nasceu em 30 de dezembro de 1903 na fazenda de café Santa Rosa, na cidade de Brodowski, interior de São Paulo, filho de imigrantes italianos originários do Vêneto. Desde a infância demonstrou vocação artística, auxiliando na pintura decorativa da igreja matriz de sua cidade natal aos 14 anos.

 

Em 1919, mudou-se para o Rio de Janeiro para aperfeiçoar seus estudos formais, ingressando na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), onde foi aluno de mestres como Rodolfo Amoedo, Lucílio de Albuquerque e Batista da Costa. Em 1928, após sucessivas tentativas, conquistou o cobiçado Prêmio de Viagem à Europa com o Retrato de Olegário Mariano. A permanência na Europa entre 1929 e 1930 — vivida principalmente em Paris — foi um divisor de águas: em vez de se dedicar ao cópia clássica, estudou a obra dos grandes mestres nos museus e absorveu as vanguardas modernas (especialmente o cubismo e o expressionismo de Pablo Picasso), definindo seu propósito de retornar ao Brasil para pintar a sua gente e a sua terra.

 

Pontos de Destaque na Trajetória

Ao retornar ao Brasil em 1931, casado com a uruguaia Maria Martinelli, Portinari rompeu radicalmente com o academicismo formal e passou a desenvolver uma linguagem de síntese entre rigor técnico e engajamento social. O grande reconhecimento internacional ocorreu em 1935, quando a tela Café recebeu a menção honrosa no Carnegie International Exhibition em Pittsburgh, Estados Unidos.

 

Na década de 1940, sua produção atingiu maturação máxima. A convite do governo federal e do arquiteto Lúcio Costa, realizou os afrescos do Ministério da Educação e Saúde (Palácio Capanema, RJ) e, a convite de Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer, concebeu o conjunto de painéis para a Igreja de São Francisco de Assis na Pampulha, Belo Horizonte (1944). Comprometido com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), elegeu-se suplente de deputado em 1945 e candidato ao Senado em 1947, sendo forçado a exilar-se no Uruguai em decorrência da perseguição política durante o governo Dutra.

 

Entre 1952 e 1956, dedicou-se à sua obra-máxima: os monumentais painéis Guerra e Paz, encomendados pelo governo brasileiro para presentear a Sede da ONU em Nova York. Tragicamente, o uso contínuo de tintas à base de chumbo e arsênio provocou-lhe um envenenamento crônico (saturnismo). O artista faleceu no Rio de Janeiro em 6 de fevereiro de 1962, em decorrência de complicações causadas pela intoxicação por pigmentos.

A vasta e diversificada produção de Cândido Portinari oscila harmonicamente entre o lirismo nostálgico de suas memórias de infância e o dramatismo denso da crítica sociopolítica.

Temas Recorrentes:

  • Trabalho e Questão Agrária: O cotidiano árduo dos cortadores de cana, colhedores de café e lavradores, retratados com mãos e pés agigantados, fincados à terra.
  • Retirantes e Injustiça Social: A série emblemática Os Retirantes (1944), que explicita a dor, a miséria e a fome das famílias do sertão nordestino com figuras esquálidas e dramáticas.
  • Infância e Tradição Popular: Meninos de Brodowski soltando pipas, jogando futebol, em espantalhos, cirandas e festas de São João.
  • Religiosidade Popular e Misticismo: O sincretismo, episódios bíblicos e a vida dos santos retratados com linguagem monumental e emotiva.


Técnicas e Materiais:

  • Pintura a Óleo e Têmpera: Aplicação textural rigorosa sobre tela e madeira, com uso de pinceladas estruturantes e paleta de cores terra, ocres e azuis intensos.
  • Afresco e Pintura Mural: Domínio das técnicas clássicas de afresco sobre argamassa fresca em projetos arquitetônicos modernos.
  • Desenho e Gravura: Domínio absoluto da anatomia humana, linhas anatômicas estilizadas em grafite, nanquim, carvão e litografia.

 

A vasta e diversificada produção de Cândido Portinari oscila harmonicamente entre o lirismo nostálgico de suas memórias de infância e o dramatismo denso da crítica sociopolítica.

Temas Recorrentes:

  • Trabalho e Questão Agrária: O cotidiano árduo dos cortadores de cana, colhedores de café e lavradores, retratados com mãos e pés agigantados, fincados à terra.
  • Retirantes e Injustiça Social: A série emblemática Os Retirantes (1944), que explicita a dor, a miséria e a fome das famílias do sertão nordestino com figuras esquálidas e dramáticas.
  • Infância e Tradição Popular: Meninos de Brodowski soltando pipas, jogando futebol, em espantalhos, cirandas e festas de São João.
  • Religiosidade Popular e Misticismo: O sincretismo, episódios bíblicos e a vida dos santos retratados com linguagem monumental e emotiva.


Técnicas e Materiais:

  • Pintura a Óleo e Têmpera: Aplicação textural rigorosa sobre tela e madeira, com uso de pinceladas estruturantes e paleta de cores terra, ocres e azuis intensos.
  • Afresco e Pintura Mural: Domínio das técnicas clássicas de afresco sobre argamassa fresca em projetos arquitetônicos modernos.
  • Desenho e Gravura: Domínio absoluto da anatomia humana, linhas anatômicas estilizadas em grafite, nanquim, carvão e litografia.

 

Explorando a Obra:
Registrado no projeto Portinari sob nº FCO: 6065 CR: 5021. Estudo para uma das pinturas murais dos Ciclos Econômicos, Palácio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro, RJ