Antonio Manuel (Funchal, Ilha da Madeira, Portugal, 1947) é um renomado artista multimídia, pintor, gravador e desenhista luso-brasileiro, considerado uma das figuras mais radicais e influentes da vanguarda e da arte conceitual no Brasil a partir do final dos anos 1960. Tendo chegado ao Rio de Janeiro ainda na infância, sua trajetória destacou-se pela contestação às estruturas políticas da ditadura militar e às limitações do sistema de arte. Ficou marcado na história da arte brasileira por ações antológicas como o oferecimento de seu próprio corpo nu como obra de arte no Salão Nacional de Arte Moderna (O Corpo é a Obra, 1970) e pelo uso transgressor dos meios de comunicação de massa (como jornais de grande circulação, clichês e matrizes de imprensa). Representou o Brasil na 56ª Bienal de Veneza (2015) e possui obras em importantes acervos internacionais, como o MoMA (Nova York), a Tate Modern (Londres) e o Centre Pompidou (Paris).
Antonio Manuel Rosa Cabral nasceu na cidade do Funchal, na Ilha da Madeira (Portugal), em 1947. Mudou-se com a família para o Brasil em 1953, fixando residência no Rio de Janeiro. No início da década de 1960, iniciou seus estudos artísticos de maneira autodidata e informal: entre 1962 e 1965, frequentou os ateliês de gravura da Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) e os cursos livres do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), onde teve contato decisivo com Ivan Serpa e Mário Pedrosa.
A partir de 1966, Antonio Manuel passou a explorar o jornal como suporte físico, material e conceitual, criando as séries de Flans (matrizes de papelão prensado usadas em linotipo) e intervenções diretas nas páginas dos jornais diários O Dia e Última Hora. Em 1968, participou do histórico evento Apocalipopótese, idealizado por Hélio Oiticica no Aterro do Flamengo, apresentando suas Clandestinas — marmitas de alumínio e tecidos com imagens censuradas pelo regime militar que exigiam a manipulação do público.
Em 1970, realizou a intervenção radical O Corpo é a Obra. Após ter uma proposta de submissão recusada pelo júri do 19º Salão Nacional de Arte Moderna (que vetara a apresentação de seu próprio corpo como escultura viva), o artista compareceu no dia da abertura, tirou todas as roupas e postou-se nu no espaço do salão como ato de protesto contra a censura e a repressão política do AI-5.
Durante a década de 1970, viveu temporariamente em Nova York após ganhar o Prêmio de Viagem ao Exterior no Salão Nacional de Arte Moderna (1973). Ao longo das décadas seguintes, sua obra consolidou-se internacionalmente, mantendo a crítica contundente à violência urbana, à manipulação da informação e ao estado da imagem na sociedade contemporânea.
A poética de Antonio Manuel transita entre a arte conceitual, a intervenção política, a performance, o cinema experimental, a gravura e a pintura contemporânea.
Temas Recorrentes:
As obras de Antonio Manuel figuram entre as mais importantes coleções públicas e museológicas do Brasil e do mundo: