Carlos Leão (Rio de Janeiro, RJ, 1906 – idem, 1983) foi um proeminente arquiteto, pintor, desenhista e aquarelista brasileiro, figura seminal na consolidação do modernismo no Brasil. Integrante da histórica equipe de arquitetos liderada por Lúcio Costa que projetou o Palácio Capanema (antigo Ministério da Educação e Saúde) no Rio de Janeiro ao lado de nomes como Oscar Niemeyer e Affonso Eduardo Reidy, Leão dividiu sua brilhante carreira entre a arquitetura de traços limpos e a paixão refinada pelas artes plásticas. Notabilizou-se por seus desenhos e aquarelas de extrema delicadeza, sensibilidade e rigor de síntese, focando prioritariamente na figura feminina, nos nus, nas paisagens e nas cenas cotidianas. Com obras presentes em relevantes coleções públicas e privadas do país, sua trajetória é celebrada por sua elegância formal e pelo perfeito equilíbrio entre a clareza espacial da arquitetura e a fluidez da arte figurativa.
Carlos Leão nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1906. Iniciou sua formação acadêmica na tradicional Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) no final da década de 1920, graduando-se em Arquitetura no ano de 1931. Foi justamente na ENBA que vivenciou a histórica reformulação do ensino promovida por Lúcio Costa durante sua breve gestão como diretor da instituição (1930–1931), momento em que Leão e seus colegas absorveram os preceitos do racionalismo e do funcionalismo da vanguarda arquitetônica europeia (especialmente os postulados de Le Corbusier).
Como arquiteto, Carlos Leão alcançou reconhecimento histórico ao integrar, entre 1936 e 1945, a equipe de jovens projetistas encarregada de conceber o edifício-sede do Ministério da Educação e Saúde (Palácio Capanema) no Rio de Janeiro — marco fundador da arquitetura moderna latino-americana. Paralelamente, atuou ativamente em escritórios de arquitetura e desenvolveu projetos residenciais e públicos emblemáticos.
No campo das artes visuais, Leão manteve uma produção constante e dedicada desde os anos 1930. Desenvolveu um estilo inconfundível focado na figuração estilizada, mantendo diálogo próximo com grandes nomes da cultura brasileira, como Di Cavalcanti, Manuel Bandeira e Vinicius de Moraes. Ao longo de sua carreira, suas obras em papel e tela conquistaram colecionadores sofisticados e curadores, tornando-o presença constante em salões oficiais e galerias de arte do Rio de Janeiro e de São Paulo.
A produção artística de Carlos Leão destaca-se pelo apuro técnico no desenho e na aquarela, onde a economia de meios e a síntese da linha prevalecem sobre o excesso decorativo.
Temas Recorrentes:
Técnicas e Materiais:
As obras plásticas e projetos arquitetônicos de Carlos Leão integram acervos de importantes instituições públicas e museus brasileiros: