Alexandre Orion

1978

Alexandre Orion é um dos principais nomes da arte urbana brasileira contemporânea, reconhecido por integrar graffiti, fotografia, pintura e intervenção urbana em obras que discutem a cidade, a poluição, o consumo e as relações sociais.

Alexandre Orion nasceu em São Paulo, em 9 de agosto de 1978. Influenciado pela cultura do skate, do hip-hop e do graffiti, começou a realizar trabalhos nas ruas no início da década de 1990. Autodidata em sua formação inicial, também atuou com tatuagem, ilustração e direção de arte. Em 2001, iniciou sua pesquisa com fotografia e, em 2004, graduou-se em Artes Visuais pela Faculdade Montessori — Famec, em São Paulo.

Em 2002, criou Metabiótica, série na qual realizava pinturas em muros e aguardava o momento em que pessoas, veículos ou acontecimentos cotidianos estabelecessem relações inesperadas com as figuras. Esses encontros eram registrados fotograficamente, transformando a cidade e seus transeuntes em participantes da obra.

Em 2006, realizou sua intervenção mais conhecida, Ossário, nas paredes do Túnel Max Feffer, em São Paulo. Utilizando apenas pedaços de pano, retirou seletivamente a fuligem acumulada no local, formando centenas de caveiras ao longo de aproximadamente 300 metros. O procedimento, conhecido como graffiti reverso, chamou a atenção para a poluição produzida pelos automóveis e teve ampla repercussão nacional e internacional. Posteriormente, Orion passou a utilizar a própria fuligem como pigmento em pinturas e gravuras.

Ao longo de sua carreira, desenvolveu projetos como Polugrafias, Poluição sobre Muro, Apropriada, Défense d’Afficher e Lampoonist. Realizou exposições no Brasil e no exterior e teve trabalhos apresentados em instituições como a Pinacoteca de São Paulo, o Centro Cultural Banco do Brasil, o Itaú Cultural e o Centro Cultural da Caixa. Sua obra também integra importantes coleções institucionais brasileiras e internacionais.

Mercado

Alexandre Orion é um artista de currículo institucional e projeção internacional, cuja produção ultrapassa os limites tradicionais do graffiti. Sua obra transita entre fotografia, pintura, gravura, instalação, vídeo e intervenção urbana, permitindo que trabalhos originalmente efêmeros sejam preservados e incorporados a coleções.

Para o mercado, destacam-se as fotografias da série Metabiótica, as obras relacionadas a Ossário e as Polugrafias, nas quais a fuligem retirada da cidade é transformada em pigmento. A força conceitual desses trabalhos, associada à sua linguagem visual facilmente reconhecível, contribui para o interesse de colecionadores de arte urbana e contemporânea.

A presença de suas obras em acervos como os da Pinacoteca de São Paulo, Itaú Cultural e Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, além de exposições no Brasil e no exterior, reforça sua importância. A atualidade das questões ambientais, sociais e urbanas tratadas em sua produção também amplia sua relevância no circuito contemporâneo.

A produção de Alexandre Orion está ligada diretamente ao espaço urbano. A cidade não funciona apenas como tema ou cenário, mas como suporte, matéria-prima e participante da obra. Muros, túneis, fuligem, cartazes publicitários, veículos, pedestres e acontecimentos cotidianos são incorporados ao seu processo criativo.

Orion utiliza diferentes linguagens, como graffiti, fotografia, pintura, desenho, gravura, instalação e vídeo. Em Metabiótica, relaciona figuras pintadas nos muros com os movimentos imprevisíveis dos transeuntes, registrando fotograficamente encontros entre ficção e realidade. Em Ossário, emprega a remoção da fuligem para construir imagens, transformando a limpeza em gesto artístico e político.

A poluição tornou-se um elemento recorrente em sua pesquisa. O artista recolhe a fuligem produzida pelos automóveis e a converte em pigmento, criando pinturas, murais e gravuras. Dessa maneira, o material que suja e adoece a cidade passa a documentar visualmente sua própria origem.

Sua obra aborda questões como poluição atmosférica, consumo, desigualdade, ocupação do espaço público e excesso de informação visual. Embora tenha origem no graffiti, sua produção está inserida no campo da arte contemporânea e caracteriza-se pela integração entre imagem, ambiente, ação e crítica social.

Formação

  • 1992–1993: Inicia sua atuação na cultura urbana e no graffiti, em São Paulo.
  • 2001: Começa a desenvolver sua pesquisa com fotografia.
  • 2004: Gradua-se em Artes Visuais pela Faculdade Montessori — Famec, São Paulo.

Exposições Individuais

  • 1995: Trapo, Acervo da Memória e do Viver Afro-Brasileiro, São Paulo.
  • 2004: Metabiótica, Pinacoteca de São Paulo.
  • 2004: Metabiótica, MaxiMídia, São Paulo.
  • 2004: Desdobramento I, Galeria Ouro Fino, São Paulo.
  • 2005: Exposição individual na Sparts Gallery, Paris, França.
  • 2010: Ossário, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo.
  • 2024: Exposição retrospectiva de carreira, Portal 19 Arte, São Paulo.
  • 2025: Exposição no Centro Cultural São Paulo, com trabalhos relacionados à cidade, à poluição atmosférica e ao meio ambiente.

Exposições Coletivas

  • 1997: Mambo I e II — Alexandre Orion e Dolly Muniz, Casarão da Avenida Paulista, São Paulo.
  • 2004: Uma Viagem de 450 Anos, Sesc Pompeia, São Paulo.
  • 2004: O Olhar Fotográfico do Artista sobre São Paulo, Galeria do Foto Cine Clube Bandeirantes.
  • 2004: Passaporte Brasil, Clube A Hebraica, São Paulo.
  • 2004: SP: 450 Pontos de Vista, Estação Clínicas do Metrô de São Paulo.
  • 2004: Projeto Povos de São Paulo, Galeria Olido.
  • 2004: Prêmio Porto Seguro de Fotografia, Espaço Porto Seguro Fotografia — selecionado na categoria Pesquisas Contemporâneas.
  • 2004: 8ª Mostra Tangram de Fotografia, São Paulo.
  • 2004: Cidade Mutação, Sesc Pompeia, São Paulo.
  • 2004: Pequenas Grandes Obras, Pinacoteca Municipal de Atibaia.
  • 2005: Amalgames Brésiliens, Mantes-la-Jolie, França.
  • 2005: Rencontres Parallèles, Centre d’Art Contemporain de Basse-Normandie, Hérouville-Saint-Clair, França.
  • 2005: Exposição coletiva no Mercado Cultural, Salvador.
  • 2007: Itaú Contemporâneo: Arte no Brasil 1981–2006, Itaú Cultural, São Paulo.

Projetos Selecionados

  • 2002: Inicia a série Metabiótica.
  • 2002: Produz, com Monica Murakami, o curta-metragem Uma Janela para o Mundo.
  • 2004: Realiza Desdobramento Rua Augusta, produzido pela Big Bonsai.
  • 2004: Cria a instalação Desdobramento I, na Galeria Ouro Fino.
  • 2006: Realiza Ossário, no Túnel Max Feffer, São Paulo.
  • Desenvolve as séries Polugrafias, Poluição sobre Muro, Apropriada, Défense d’Afficher e Lampoonist.

Publicações

  • 2006: Publica o livro Metabiótica, com texto crítico de Boris Kossoy.
  • Sua obra aparece em publicações de editoras como Taschen, Phaidon, Thames & Hudson, Éditions de La Martinière, Gestalten, Laurence King Publishing, University of Toronto Press, Nova Fronteira, Saraiva e FTD.

Acervos

Obras de Alexandre Orion estão presentes em acervos e coleções como:

  • Pinacoteca de São Paulo, Brasil;
  • Itaú Cultural, São Paulo, Brasil;
  • Fundação Padre Anchieta, São Paulo, Brasil;
  • Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Paris, França;
  • Centrum Beeldende Kunst, Roterdã, Países Baixos;
  • Museum of Arts and Design — MAD, Nova York, Estados Unidos;
  • Deutsche Bank, Nova York, Estados Unidos;
  • Milwaukee Art Museum, Estados Unidos;
  • Nelson-Atkins Museum of Art, Estados Unidos;
  • Spencer Museum of Art, Estados Unidos.

Obras de Alexandre Orion

Cód. 9051AF

- Metabiotica 13 , 2004

Fotografia digital
73 (A) x
49 (L) cm