Adão de Lourdes

1945

Adão de Lourdes é um importante representante da arte popular brasileira. Autodidata, transforma blocos de madeira em esculturas povoadas por animais, árvores, figuras humanas e narrativas religiosas, rurais e sociais, preservando a tradição escultórica de Cachoeira do Brumado, em Minas Gerais.

Adão de Lourdes Cassiano nasceu em 1945, em Mariana, Minas Gerais, e desenvolveu sua trajetória em Cachoeira do Brumado, distrito conhecido pela produção artesanal em pedra-sabão e madeira.

Nascido em uma família de comerciantes e pedreiros, trabalhou na construção civil até aproximadamente os 26 anos. Seu primeiro contato com a escultura aconteceu durante a construção do Grupo Escolar de Cachoeira do Brumado. Ao escavar o terreno para as fundações, encontrou pedra-sabão e começou a experimentar o material, criando pequenas figuras, animais e presépios.

Uma de suas primeiras peças foi uma pequena flor em pedra-sabão, oferecida como presente àquela que viria a ser sua esposa. Essa fase inicial foi marcada por trabalhos de pequenas dimensões e por uma descoberta essencialmente intuitiva da prática escultórica.

Sua trajetória mudou a partir do contato com Artur Pereira, importante escultor popular que vivia na mesma região. Artur percebeu seu talento, incentivou-o a abandonar progressivamente a pedra-sabão e a experimentar a madeira. A partir desse estímulo, Adão passou a desenvolver uma linguagem própria, tornando-se um dos continuadores da tradição da escultura em madeira de Cachoeira do Brumado.

Adão ficou conhecido principalmente por seus presépios, pelas esculturas de animais, pelos bancos em formato de sapo, pelas árvores povoadas de pássaros e por obras de temática social, como a série denominada Corrente de Escravos. Seu trabalho reúne observação da natureza, memória do cotidiano rural, religiosidade e imaginação.

A relação com a madeira envolve também conhecimentos tradicionais sobre a natureza. O artista relatou que selecionava pessoalmente o cedro empregado em suas esculturas e observava os períodos considerados adequados para o corte, respeitando os ciclos da lua e realizando o replantio das árvores.

Em 2024, sua trajetória foi incluída no livro Mãos que contam histórias: vida e obra de artesãos cachoeirenses, de Thalia Gonçalves. A publicação apresenta as histórias de cinco artesãos de Cachoeira do Brumado e registra a relação entre suas experiências de vida, a prática artística e a cultura da comunidade. Adão participou pessoalmente do lançamento local da obra, realizado em novembro daquele ano.

Mercado?

Para colecionadores e profissionais do mercado, Adão de Lourdes ocupa uma posição relevante dentro da escultura popular brasileira em madeira. Sua produção apresenta identidade visual facilmente reconhecível e mantém uma ligação direta com a tradição artística de Cachoeira do Brumado, especialmente com o legado de Artur Pereira.

Suas esculturas circulam em galerias, antiquários e leilões especializados em arte brasileira. Os trabalhos mais característicos — como as árvores com animais, os presépios, os bancos em forma de sapo e as composições da série Corrente de Escravos — despertam maior interesse por reunirem força escultórica, riqueza de entalhe e temas associados diretamente ao artista.

As esculturas de maiores dimensões, executadas em bloco único de madeira e com composições mais complexas, tendem a alcançar maior destaque comercial. A presença de uma obra de Adão de Lourdes na seleção da SP-Arte 2025, apresentada pela Galeria Ricardo Von Brusky, demonstra sua inserção crescente em circuitos mais amplos de valorização e revisão da arte popular brasileira.

A produção de Adão de Lourdes está inserida no campo da arte popular brasileira, particularmente na tradição da escultura mineira em madeira. Sua formação autodidata e sua proximidade com o ambiente rural deram origem a uma linguagem baseada na observação da fauna, da flora, das práticas religiosas e da vida cotidiana de sua comunidade.

O artista começou trabalhando com pedra-sabão, material abundante em Cachoeira do Brumado. Nessa fase, produziu pequenas flores, animais e figuras religiosas. Por influência de Artur Pereira, passou posteriormente à madeira, que se tornou o principal suporte de sua obra.

Adão trabalha frequentemente com a talha direta, permitindo que a forma da escultura surja do próprio bloco de madeira. Em determinadas obras, aproveita troncos e ramificações para criar estruturas verticais semelhantes a árvores ou totens, sobre as quais distribui pássaros, animais e figuras humanas.

Suas árvores escultóricas apresentam composições densas, formadas pelo agrupamento de diferentes espécies da fauna e da flora brasileiras. A repetição dos animais, os galhos entrelaçados e a verticalidade conferem ritmo às obras, fazendo com que cada peça possa ser observada de diferentes ângulos.

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os bancos esculpidos em forma de sapo. Nessas peças, Adão aproxima escultura e objeto funcional: o animal é representado com corpo largo, pernas robustas e superfície intensamente entalhada, transformando-se simultaneamente em figura e mobiliário.

A religiosidade aparece principalmente nos presépios e nas cenas de inspiração cristã. Já obras como Corrente de Escravos introduzem uma dimensão histórica e social, utilizando a repetição e o encadeamento das figuras para abordar a memória da escravidão.

Embora se relacione com a produção de Artur Pereira e com a tradição de Cachoeira do Brumado, Adão desenvolveu um repertório próprio. Suas esculturas combinam simplificação formal, exuberância ornamental e expressividade, transformando experiências locais em imagens de alcance mais amplo.

Formação

  • Autodidata: Inicia sua produção escultórica por volta dos 26 anos, enquanto trabalhava na construção civil.
  • Começa modelando pequenas peças em pedra-sabão, encontrada durante a construção do Grupo Escolar de Cachoeira do Brumado.
  • Recebe orientação e incentivo de Artur Pereira, que o estimula a trabalhar com madeira.
  • Consolida sua produção em Cachoeira do Brumado, mantendo-se ligado à tradição artesanal e escultórica da região.

Principais obras e séries

  • Presépios
  • Corrente de Escravos
  • Árvores com animais
  • Totens com elementos da fauna e da flora
  • Bancos em forma de sapo
  • Esculturas religiosas
  • Animais e cenas do cotidiano rural

Exposições e Participações

  • Participa da mostra coletiva Artistas de Minas Gerais, na Galeria Pontes, em São Paulo, com curadoria de Edna Matosinho de Pontes.
  • Participa da exposição coletiva Animais Fantásticos do Brasil, na Galeria Ricardo Von Brusky, ao lado de outros nomes da escultura popular.
  • Participa da mostra A Arte do Povo Brasileiro, que reuniu aproximadamente 300 obras de artistas populares de diferentes regiões do país.
  • 2025: Tem a obra Corrente de Escravos, escultura em madeira de 122 × 38 × 32 cm, apresentada pela Galeria Ricardo Von Brusky na SP-Arte.

Homenagens e Publicações

  • 2014: Recebe Moção de Aplausos concedida pela Câmara Municipal de Mariana, Minas Gerais.
  • 2023: Sua trajetória integra a versão digital do livro Mãos que contam histórias: vida e obra de artesãos cachoeirenses, originado de pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Ouro Preto — UFOP.
  • 2024: Participa do lançamento da edição impressa do livro em Cachoeira do Brumado.
  • 2024: A publicação é apresentada no Museu de Mariana, preservando a memória de Adão e de outros quatro artesãos da região.

Presença no Mercado

As obras de Adão de Lourdes circulam regularmente em galerias, antiquários e casas de leilão especializadas em arte brasileira. São encontrados no mercado:

  • esculturas em madeira de pequeno e médio porte;
  • grandes árvores e totens com animais;
  • bancos zoomórficos em forma de sapo;
  • presépios;
  • composições da série Corrente de Escravos;
  • esculturas executadas em monobloco de madeira.

Obras de Adão de Lourdes

Cód. AF12294

- Árvore com pássaros, flor e frutos

Escultura em madeira entalhada e adornada com aves, flores, frutos na árvore e outros animais.
19 (A) x
76 (L) cm