Artur Barrio - TNT Arte
Porto, Portugal
1945
(Cód.: 1279)
Composição erótica "APBGSECTA", 1967
Desenho a grafite sobre papel
centro
22 x (L) cm
30 (A) x
Categoria(s): Desenho

Nascimento e Formação

Artur Alípio Barrio de Sousa Campos nasceu na cidade do Porto, Portugal, em 1945. Devido a perseguições políticas sofridas por sua família pelo regime Salazarista, emigrou com os pais inicialmente para Angola e, em 1955, fixou residência no Rio de Janeiro. No início da década de 1960, iniciou sua aproximação com as artes visuais. Entre 1967 e 1969, ingressou na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) no Rio de Janeiro, contudo interrompeu os estudos formais por rejeitar o academicismo e o ensino tradicional da instituição, optando por uma formação autodidata e experimental pautada nas ruas e na margem social.

 

Pontos de Destaque na Trajetória

Em 1969, Barrio redigiu o seu seminal Manifesto, no qual questionava o circuito mercantil da arte, criticava o esteticismo dos museus e propunha a utilização de materiais perecíveis, orgânicos e sem valor comercial. Nesse mesmo ano, criou as primeiras Trouxas Ensanguentadas (T.E.), amarrados de pano recheados com lixo, carne moída, ossos, urina e papel que eram abandonados anonimamente em vias públicas ou em cursos d'água.

Em abril de 1970, durante a ditadura militar (período do AI-5), executou a histórica intervenção Situação T.E./DE-E 0-5000 no Rio Ribeirão das Anhumas, em Belo Horizonte (MG), durante o evento Do Corpo à Terra (organizado pelo crítico Frederico Morais). Ao despachar 14 trouxas ensanguentadas no rio, provocou a ação imediata da polícia e da imprensa local, que confundiram a obra com restos mortais de vítimas do esquadrão da morte do regime — evidenciando a violência política invisibilizada no país.

Entre as décadas de 1970 e 1980, Barrio viveu e trabalhou temporariamente em Paris e Amsterdã, realizando ações e "Situações" itinerantes pela Europa. De volta ao Brasil, fixou-se no Rio de Janeiro e em Salvador, mantendo uma postura libertária e mantendo os "Cadernos de Anotações" (diários de bordo visuais) como registro de sua vivência estética e conceitual.

A poética de Artur Barrio pauta-se pelo conceito de "Situação" em detrimento do objeto de arte tradicional, substituindo a permanência da obra pela efemeridade e pelo impacto sensorial imediato.

 

Temas Recorrentes:

 

    • Violência, Corpo e Repressão: Denúncia da tortura, do desaparecimento de corpos e da marginalidade social através da manipulação de matéria orgânica.
    • Efemeridade e Desmaterialização: Recusa do fetiche do objeto comercializável e preservável, priorizando ações que se deterioram com o tempo.
    • A Relação entre Espaço Público e Instituição: Tensão deliberada entre a galeria/museu e a rua, desestabilizando a percepção do espectador por meio do cheiro, da podridão e do choque.
    • Registros e Diários de Bordo: O acúmulo de notas, desenhos, mapas, poemas e fotografias em cadernos pessoais como suporte complementar do pensamento poético.

 

Técnicas e Materiais:

    • Materiais Precarizados e Orgânicos: Carne, sangue bovino, ossos, lixo urbano, dejetos, peixe, pão, café, saliva, fios de cabelo e esponjas.
    • Instalações e Situações Site-Specific: Alteração temporária de salas de exposição com pó de café, carvão e pigmentos espalhados pelas paredes e pisos.
    • Cadernos de Anotações e Livros de Artista: Encadernações artesanais preenchidas com nanquim, colagens, carimbos e anotações reflexivas.

A poética de Artur Barrio pauta-se pelo conceito de "Situação" em detrimento do objeto de arte tradicional, substituindo a permanência da obra pela efemeridade e pelo impacto sensorial imediato.

 

Temas Recorrentes:

 

    • Violência, Corpo e Repressão: Denúncia da tortura, do desaparecimento de corpos e da marginalidade social através da manipulação de matéria orgânica.
    • Efemeridade e Desmaterialização: Recusa do fetiche do objeto comercializável e preservável, priorizando ações que se deterioram com o tempo.
    • A Relação entre Espaço Público e Instituição: Tensão deliberada entre a galeria/museu e a rua, desestabilizando a percepção do espectador por meio do cheiro, da podridão e do choque.
    • Registros e Diários de Bordo: O acúmulo de notas, desenhos, mapas, poemas e fotografias em cadernos pessoais como suporte complementar do pensamento poético.

 

Técnicas e Materiais:

    • Materiais Precarizados e Orgânicos: Carne, sangue bovino, ossos, lixo urbano, dejetos, peixe, pão, café, saliva, fios de cabelo e esponjas.
    • Instalações e Situações Site-Specific: Alteração temporária de salas de exposição com pó de café, carvão e pigmentos espalhados pelas paredes e pisos.
    • Cadernos de Anotações e Livros de Artista: Encadernações artesanais preenchidas com nanquim, colagens, carimbos e anotações reflexivas.
Explorando a Obra: