Rubens Gerchman - TNT Arte
Rio de Janeiro
1942
2008
(Cód.: AV15241)
Casal, 1994
Técnica mista sobre cartão
canto inferior esquerdo
48 x (L) cm
30 (A) x
Categoria(s): Desenho

Rubens Gerchman nasceu no Rio de Janeiro, em 1942. Estudou no Liceu de Artes e Ofícios e frequentou a Escola Nacional de Belas Artes, onde teve aulas de xilogravura com Adir Botelho. No início de sua trajetória profissional, trabalhou como diagramador e programador visual em revistas, experiência que contribuiu para sua aproximação com a linguagem gráfica, a imprensa e os meios de comunicação de massa, elementos que posteriormente seriam incorporados à sua produção artística.

Gerchman despontou no cenário artístico na primeira metade dos anos 1960, tornando-se um dos protagonistas da Nova Figuração brasileira, em um período de intensa renovação das linguagens artísticas e de profundas transformações políticas e culturais no país. Em 1965, participou da histórica Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), e da VIII Bienal Internacional de São Paulo. Em 1967, integrou Nova Objetividade Brasileira, também no MAM Rio, exposição fundamental para as experiências de vanguarda no Brasil, e participou da IX Bienal Internacional de São Paulo.

Sua projeção internacional se ampliou ainda em 1967, com participações na Bienal de Paris, na Bienal de Tóquio e na Bienal Interamericana de Córdoba, na Argentina. No mesmo ano, realizou exposição individual no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Premiado no Salão Nacional de Arte Moderna, recebeu prêmio de viagem ao exterior e estabeleceu-se em Nova York entre 1968 e 1972, período em que aprofundou suas pesquisas em torno da palavra, do objeto, da instalação e das linguagens conceituais, em contato direto com o ambiente artístico internacional.

De volta ao Brasil, teve sua trajetória reconhecida por importantes instituições. Em 1973, realizou uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), posteriormente apresentada no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). No ano seguinte, em 1974, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) apresentou uma retrospectiva de sua obra, com curadoria de Lina Bo Bardi.

Paralelamente à produção artística, Gerchman teve atuação relevante no debate e na formação da arte brasileira. Foi um dos criadores da revista Malasartes, importante publicação dedicada à reflexão sobre a produção contemporânea. Em 1975, assumiu a direção do Instituto de Belas Artes, no Parque Lage, participando de sua transformação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV). Sua atuação contribuiu para consolidar a instituição como espaço de experimentação e liberdade artística, exercendo influência sobre novas gerações de artistas.

Nas décadas seguintes, manteve intensa atividade no Brasil e no exterior. Recebeu bolsa da John Simon Guggenheim Memorial Foundation, desenvolveu trabalhos nos Estados Unidos e no México e, em 1982, foi artista residente em Berlim pelo programa DAAD – Deutscher Akademischer Austauschdienst. Em 1991, retornou à Bienal Internacional de São Paulo, participando de sua XXI edição com a instalação Clorofila.

Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Rubens Gerchman desenvolveu uma produção que atravessou pintura, desenho, gravura, escultura, objetos e instalações. Multidões, personagens anônimos, concursos de beleza, futebol, manchetes policiais, palavras e imagens provenientes dos meios de comunicação passaram a integrar seu repertório. Entre suas obras emblemáticas está A Bela Lindonéia – A Gioconda do Subúrbio (1966), trabalho que se tornou uma das imagens referenciais da arte brasileira dos anos 1960 e estabeleceu diálogo com o ambiente cultural que daria origem ao Tropicalismo.

Gerchman faleceu em São Paulo, em 2008. Sua trajetória permanece como referência para a compreensão das vanguardas brasileiras da segunda metade do século XX, tanto pela força de sua produção quanto por sua atuação institucional e pedagógica. Suas obras integram importantes coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior, incluindo acervos do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), reafirmando a relevância de sua produção para a história da arte brasileira.

INSTITUTO RUBENS GERCHMAN

Após o falecimento do artista, foi criado, em 2010, o Instituto Rubens Gerchman (IRG), instituição dedicada à preservação, conservação, pesquisa, catalogação e difusão de sua obra e de seu acervo documental. Além das obras de arte, o Instituto preserva materiais de trabalho, biblioteca, correspondências, fotografias, cromos, negativos e documentos relacionados à trajetória do artista. Clara Gerchman, filha do artista, é fundadora e diretora-geral do Instituto e atua na preservação e difusão de seu legado.

Gerchman transitou por diversos temas e linguagens ao longo de sua produção que ficou marcada na cultura e história da arte brasileira, seguem alguns aspectos e temas de sua produção:

 

Palavras e comunicação

A palavra é matéria visual na obra de Gerchman. Letras, nomes e frases deixam de apenas acompanhar a imagem e passam a ocupar a própria composição, chegando também ao objeto e à escultura. Termos como “LUTE”, “AR”, “AMOR” e “BEIJO” aparecem ampliados, fragmentados ou transformados em formas tridimensionais. Ao aproximar texto e imagem, o artista investiga comunicação, desejo, afetividade e também os ruídos e ambiguidades da linguagem.

Beijos, amor e desejo

Casais, encontros e beijos formam um dos núcleos mais reconhecíveis de sua produção. Gerchman aproxima e sobrepõe rostos, simplifica contornos e explora a intensidade do encontro entre duas figuras. O beijo aparece ora sensual, ora afetivo, irônico ou quase como um signo gráfico, permitindo ao artista tratar das relações humanas e da dificuldade ou desejo de comunicação entre os indivíduos.

Multidões e personagens anônimos

Desde os anos 1960, Gerchman se interessa pelas multidões das grandes cidades. Rostos se acumulam e se repetem, criando massas humanas nas quais identidade e anonimato convivem. Em contraponto, personagens comuns — muitas vezes inspirados em fotografias de jornais e revistas — são isolados e elevados à condição de protagonistas, como ocorre emblematicamente em A Bela Lindonéia – A Gioconda do Subúrbio (1966).

Automóveis e a experiência urbana

Carros, ruas, placas e sinais de trânsito integram seu imaginário da cidade moderna. O automóvel surge não apenas como objeto, mas como signo de deslocamento, velocidade, consumo e transformação urbana. Gerchman incorpora esses elementos utilizando uma linguagem próxima à comunicação visual das ruas, aproximando pintura, design, publicidade e cultura popular.

Cultura de massa e cotidiano

Jornais, revistas, televisão, publicidade e imagens de grande circulação constituem importantes fontes para Gerchman. Concursos de beleza, notícias policiais, celebridades, personagens populares e acontecimentos cotidianos entram no espaço da arte. O artista se apropria dessas imagens e as desloca de seu contexto original, revelando as formas pelas quais a sociedade constrói seus ídolos, desejos e identidades.

Futebol e cultura popular

O futebol aparece como parte do imaginário coletivo brasileiro e do interesse de Gerchman pelas manifestações populares. Jogadores, torcedores e referências ao esporte integram uma produção que elimina fronteiras rígidas entre cultura erudita e cultura de massa, transformando símbolos reconhecidos pelo grande público em matéria artística.

Rostos, identidade e retrato

O rosto humano atravessa toda a sua trajetória. Retratos individuais, casais e grandes aglomerações permitem investigar quem somos diante do outro e da sociedade. Gerchman frequentemente simplifica ou fragmenta as feições, trabalhando a tensão entre identidade individual, reconhecimento e anonimato.

Diversidade de técnicas e suportes

Gerchman não restringiu sua pesquisa à pintura. Trabalhou com desenho, gravura, colagem, escultura, objetos e instalações, levando imagens e palavras da superfície para o espaço tridimensional. Essa liberdade de meios permitiu que um mesmo repertório — palavra, corpo, cidade, amor e comunicação — assumisse diferentes formas ao longo de mais de quatro décadas de produção.

Uma crônica visual da vida urbana

Apesar das diferentes fases e linguagens, sua produção mantém uma forte ligação com a experiência humana e social de seu tempo. Cidade, multidão, amor, desejo, comunicação, consumo e cultura popular atravessam sua obra. Gerchman transforma aquilo que parece comum — uma manchete, um rosto, um carro, uma palavra ou um beijo — em instrumento para pensar o indivíduo e sua relação com o mundo contemporâneo.

Gerchman transitou por diversos temas e linguagens ao longo de sua produção que ficou marcada na cultura e história da arte brasileira, seguem alguns aspectos e temas de sua produção:

 

Palavras e comunicação

A palavra é matéria visual na obra de Gerchman. Letras, nomes e frases deixam de apenas acompanhar a imagem e passam a ocupar a própria composição, chegando também ao objeto e à escultura. Termos como “LUTE”, “AR”, “AMOR” e “BEIJO” aparecem ampliados, fragmentados ou transformados em formas tridimensionais. Ao aproximar texto e imagem, o artista investiga comunicação, desejo, afetividade e também os ruídos e ambiguidades da linguagem.

Beijos, amor e desejo

Casais, encontros e beijos formam um dos núcleos mais reconhecíveis de sua produção. Gerchman aproxima e sobrepõe rostos, simplifica contornos e explora a intensidade do encontro entre duas figuras. O beijo aparece ora sensual, ora afetivo, irônico ou quase como um signo gráfico, permitindo ao artista tratar das relações humanas e da dificuldade ou desejo de comunicação entre os indivíduos.

Multidões e personagens anônimos

Desde os anos 1960, Gerchman se interessa pelas multidões das grandes cidades. Rostos se acumulam e se repetem, criando massas humanas nas quais identidade e anonimato convivem. Em contraponto, personagens comuns — muitas vezes inspirados em fotografias de jornais e revistas — são isolados e elevados à condição de protagonistas, como ocorre emblematicamente em A Bela Lindonéia – A Gioconda do Subúrbio (1966).

Automóveis e a experiência urbana

Carros, ruas, placas e sinais de trânsito integram seu imaginário da cidade moderna. O automóvel surge não apenas como objeto, mas como signo de deslocamento, velocidade, consumo e transformação urbana. Gerchman incorpora esses elementos utilizando uma linguagem próxima à comunicação visual das ruas, aproximando pintura, design, publicidade e cultura popular.

Cultura de massa e cotidiano

Jornais, revistas, televisão, publicidade e imagens de grande circulação constituem importantes fontes para Gerchman. Concursos de beleza, notícias policiais, celebridades, personagens populares e acontecimentos cotidianos entram no espaço da arte. O artista se apropria dessas imagens e as desloca de seu contexto original, revelando as formas pelas quais a sociedade constrói seus ídolos, desejos e identidades.

Futebol e cultura popular

O futebol aparece como parte do imaginário coletivo brasileiro e do interesse de Gerchman pelas manifestações populares. Jogadores, torcedores e referências ao esporte integram uma produção que elimina fronteiras rígidas entre cultura erudita e cultura de massa, transformando símbolos reconhecidos pelo grande público em matéria artística.

Rostos, identidade e retrato

O rosto humano atravessa toda a sua trajetória. Retratos individuais, casais e grandes aglomerações permitem investigar quem somos diante do outro e da sociedade. Gerchman frequentemente simplifica ou fragmenta as feições, trabalhando a tensão entre identidade individual, reconhecimento e anonimato.

Diversidade de técnicas e suportes

Gerchman não restringiu sua pesquisa à pintura. Trabalhou com desenho, gravura, colagem, escultura, objetos e instalações, levando imagens e palavras da superfície para o espaço tridimensional. Essa liberdade de meios permitiu que um mesmo repertório — palavra, corpo, cidade, amor e comunicação — assumisse diferentes formas ao longo de mais de quatro décadas de produção.

Uma crônica visual da vida urbana

Apesar das diferentes fases e linguagens, sua produção mantém uma forte ligação com a experiência humana e social de seu tempo. Cidade, multidão, amor, desejo, comunicação, consumo e cultura popular atravessam sua obra. Gerchman transforma aquilo que parece comum — uma manchete, um rosto, um carro, uma palavra ou um beijo — em instrumento para pensar o indivíduo e sua relação com o mundo contemporâneo.

Explorando a Obra: